No dia de hoje, 19 de abril, comemoramos o dia do índio. Na verdade, para muitos hoje é um dia comum, como qualquer outro. Infelizmente algumas datas passam a ser apenas um lembrete no calendário, sendo que são poucos os que entendem o real significado de tais datas comemorativas.
No entanto, é preciso não apenas ter esta data especificada no calendário nacional, mas reconhecer o índio e acima de tudo respeitá-lo, respeitar seu espaço, respeitar sua dignidade, enfim respeitá-lo em sua totalidade. Ao contrário do que diz a história, eles já viviam aqui bem antes de os portugueses “descobrirem” nossa terra abençoada, que a principio recebeu o nome de Terra de Vera Cruz.
Não bastasse toda a violência sofrida no passado, pelo tratamento dado pelos portugueses que roubaram, enganaram e maltrataram nossos “irmãos índios”, hoje eles ainda continuam sendo roubados, mas desta vez pelo próprio povo.
Portanto, hoje é um dia importante sim, um dia que devemos refletir sobre os direitos dos nossos “irmãos índios”. Reconhecer e enxergar o índio como um ser que tem seus direitos, e que devem ser respeitados. Eles não precisam de muito para serem felizes, mesmo assim o pouco que precisam, muitas vezes ainda lhes são negados. Quando digo reconhecer seus direitos, com certeza têm aqueles (poderosos e ambiciosos proprietários de terras) que jamais concordariam com isso; afinal o que os índios mais precisam, é de terem seu espaço respeitado, espaço este que quando não é tomado, é cada vez mais reduzido.
Hoje dia do índio, compartilho com vocês uma parte da história do índio Celestino, que vive na comunidade indígena do Pium,
em Alto Alegre – RR. Após uma breve entrevista, compreendi sua luta e conclui que ele é um verdadeiro “guerreiro”. Dentre os pontos marcantes, ele confessou que desde criança sofreu com as mentiras do “homem branco”, daquele que só pensa em explorar o próximo. Iludidos com a falsa promessa de dar criação e estudo para Sr. Celestino, seus pais permitiram que ele fosse levado por um “homem branco” quando ainda era criança. Não é de se espantar que isto tenha acontecido, afinal é natural aqui nesta nação, que começou e em minha opinião ainda permanece uma terra de exploração e injustiça.

Sr. Celestino pode até ser considerado por alguns como apenas mais um “desocupado”, mas para mim este Homem é um exemplo de ser humano, que apesar de todo o sofrimento que já sofreu e ainda sofre, não desistiu e nem desiste de lutar. E o que o torna ainda mais digno de meu respeito e admiração, é que ao contrário dos seus oponentes, promove uma luta justa e limpa, sem violência ou armas, apenas com suas palavras e sua simplicidade através de suas composições e assim procurando conscientizar o povo e as autoridades dos direitos dos índios. Espero que muitos outros“Celestinos”, possam se unir e lutar pelos direitos dos índios e de todos os outros grupos sociais, que sofrem e são sacrificados pelos interesses da sociedade capitlaista. Vamos fazer desta data, um dia de união; vamos todos juntos (“homens brancos” e índios) esquecer as diferenças e nos unir por uma sociedade justa e igualitária!
Autor: Fernando Costa